terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 16 - Cuiabá/MT a Dourados/MS


Se alguém reclama de estrada ruim, é porque nunca passou por esse trecho de Cuiabá a Rondonópolis... Tudo bem, desviar de buracos já estamos acostumados, mas por uma coisa dessas eu nunca tinha passado. Essa estrada é um atentado contra as pessoas que precisam se deslocar, seja por qualquer motivo...

Não bastasse o trânsito intenso dos Bi-Trem, a estrada é um inferno... pior que qualquer estrada de chão. Trecho de pista simples, muito movimentado, quente e asfalto muito ondulado e deformado! mas MUITO mesmo... Calculo que tenha um ressaltos com + de 30cm de altura. Cheio daquelas ondinhas, que quando voce entra com a moto dentro, ela não obedece + voce e segue o trilho... TERRIVEL!

São quase 300km TENSOS, onde qualquer erro nos transformaria em uma massa de bife informe. Todo cuidado é pouco...

Passado isso, abastecemos já perto do MS e ao me olhar no espelho, parecia que ei tinha passado por baixo de um caminhão. Andei um pouco com a viseira aberta devido ao calor e tomei um banho de fuligem. Postinho legal, um pastel da hora e um KABULOSO misturado com coca-cola pra turbinar a máquina. Tinha uma graminha esperta do lado e os banheiros do posto mais limpos que os de casa. Se soubéssemos tínhamos acampado ali hhee...

Mas seguimos estrada e logo entramos no Mato Grosso do Sul. Aqui, a história muda. Foi o estado brasileiro com as melhores estradas pelas quais passamos. Não passamos por nenhum buraco! muito bom!

O calor seguiu, e logo a frente avistamos uma nuvem preta! oba, uma chuvinha pra refrescar... só que desta vez foi forteeee! Começou um vento muito forte, estilo Patagônia! o Marcelo foi parar na pista contrária, tamanha a força lateral do vento... Todos com as motos inclinadas pra se manter em linha reta na pista, fiquei com medo da moto escorregar. Felizmente, em menos de 5 minutos já passou e já estávamos sob forte sol novamente.

A R6 do Marcelo começou, inexplicavelmente, a afrouxar a corrente. A cada 250 km, a gente tensionava de novo, e logo depois já estava solta... o barulho era horrível, mas seguimos mesmo assim. A moto dele estava com 32mil km e a relação era original... 

Paramos em uma barraquinha tomar caldo de cana e coco gelado. Curiosamente o dono era gaúcho, tinha se aposentado e tava lá reforçando o orçamento. Chegamos com o sol se pondo em Campo Grande mas decidimos seguir. Seriam + 200km até Dourados. Felizmente a estrada continuava excelente, foi tranquilo apesar das muitas "luz altas" que levávamos dos outros carros... ninguém compensou a pré-carga da suspensão devido ao peso das bagagens e deu nisso... mas chegamos bem. + 900 e poucos quilometros chegaríamos em casa! Agora era tentar dormir e acordar cedo dia seguinte.

Resumo:
925 km

Média Consumo: 18,8 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,01

essa estradinha... vou te contar, nunca mais


MS, só estrada boa
 
 

tempestade no MS


parada pro coco


A perfeição nunca e demais...
Uma folga básica de 15cm, já tava na hora!

Dourados/MT
 




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 15 - Vilhena/RO a Cuiaba/MT


Saída de Vilhena, + alguns quilômetros rodados já entramos no estado mo Mato Grosso. Aqui o panorama não mudou: paisagens sempre iguais, retas e MUITO CALOR! Próximo da hora do meio dia fiquei com medo de apagar sobre a moto, tamanho o desconforto com o calor. Já estava meio tonto, nunca tinha passado por isso. Com as motos em movimento, não sabia se era melhor andar com a viseira aberta ou fechada... o bafo quente do vento era terrível! As paradas, alem para abastecer, eram pra tomar muita água e praticamente um banho embaixo de alguma torneira. Mesmo assim, no próximo posto, já estávamos secos novamente.

Felizmente, a estrada e muito boa, não observei nenhum buraco na estrada! Faltando 100km para Cuiabá, encostamos no posto e como eu e o Marcelo havíamos ultrapassado uma fila de caminhões, perdemos o contato visual com o Márcio. Abastecemos, esperamos mais um pouco e o Marcelo retornou para ver o que aconteceu. Fiquei no posto e depois de uns 40min chegaran os 2. Havia se rompido um dos cabos da bateria e a moto morreu. O remendo foi ali mesmo na estrada e estava tudo certo... esse remendo nos acompanhou até em casa, sem novos problemas.

A idéia, era seguir um pouco mais além de Cuiabá, mas anoiteceu e a estrada se transformou em um inferno... Muitos caminhões e a estrada sucateada. Encostamos no primeiro beira de estrada e dormimos... no dia seguinte, a ideia era acordar cedo e rodar + de 900km.

Dia de muita estrada, calor e nenhuma diversão!

Resumo:
766 km

Média Consumo: 16,3 km/L
Média R$/Litro: R$ 2,94

Estradas monótonas e calor insuportável... pode piorar?




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 14 - Porto Velho/RO a Vilhena/RO


Mais um dia sem muitas expectativas na estrada... O trecho até Cacoal foi bem difícil, não havia buracos mas a irregularidade do asfalto cobrou um preço alto... O calor somado aos solavancos nos esgotou fisicamente. Ao fim de 500km parecia que já tínhamos rodado 1000. E ainda faltava 200km até Vilhena... felizmente, depois o asfalto melhora e vira um tapete. As retas permitem desenvolver boa velocidade.

A chegada em Vilhena nos reservou diversas surpresas boas!! A cidade, está a 700m acima do nível do mar, o clima é excelente... fazia em torno de 25°C e a noite até teve um friozinho. Finalmente um pouco do clima do qual estamos acostumados, foi um alívio.

Chegamos na cidade e saímos procurar um parafuso para a R6, que havia perdido um dos parafusos q prende o protetor de corrente... mas era Sábado! Até achamos a loja, mas não tinha o parafuso. Nisso, chegou um morador de Transalp e logo puxamos assunto. O camarada já viajou por todo o nordeste e o próximo destino seria o Chile. Se prontificou a nos levar até um hotel, conseguiu um bom desconto para nós. Ainda, já se ofereceu para nos levar jantar, depois que descarregássemos nossas bagagens e tomássemos um banho! Comemos uma excelente picanha com queijo e conversamos muito sobre as viagens!

Ai está mais um exemplo do que o motociclismo nos proporciona! Aqui fica nosso agradecimento ao amigo de estrada Giovani, que nos acolheu como irmãos! Esperamos retribuir um dia da mesma forma...

Novamente não tirei muitas fotos, o objetivo de chegar em casa começa a atrapalhar hehe... Em tempo, a cidade de Vilhena nos surpreendeu em meio a tantas cidades feias na beira da estrada. Vilhena é muito bonita, bem organizada e segura. Moraria aqui tranquilamente!


Resumo:
700 km

Média Consumo: 17,5 km/L
Média R$/Litro: R$ 2,99


estrada! muita reta!!


hotel Comodoro em Vilhena, aprovado!


esse dia deu pra passar mal! muito bom hein



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 13 - Rio Branco/AC a Porto Velho/RO


Acordamos cedo, o destino era agora a próxima capital, Porto Velho. O Marcelo da R6 se encasquetou com um barulho na moto e a temperatura do motor e resolveu trocar o óleo, pois já estávamos a mais de 5mil km na estrada. A troca foi na frente do hotel mesmo, demorou pois é necessário desmontar uma das carenagens da moto. 

Seguimos em um ritmo bom, 140km/h... pois eu também tinha a ideia de trocar o óleo em Porto Velho. A velocidade maior também piorou nossos consumos, que ficaram por volta de 15 por litro. A partir da fronteira dos estados a estrada melhora um pouco, os buracos são concentrados em determinados trechos, então era só diminuir nesses pontos.

A única atração do dia, foi a balsa do Rio Madeira, travessia de uns 20min. Nos falaram que na época das cheias, pode chegar a 1h de travessia. O calor continuo nos castigando, esse dia não pegamos chuva, infelizmente hehe.

Chegamos cedo em Porto Velho, umas 16h. Enquanto parte do grupo escolhia o Hotel, Eu e o Márcio (883) fomos trocar o óleo das motos e o Marcelo (R6) foi ajustar a corrente.
Depois, hospedados, demos uma volta pela cidade para achar um restaurante. A cidade não pareceu tão atraente quanto Rio Branco. Dormimos cedo, pois no dia seguinte, parte do grupo ficaria mais um pouco na cidade, descansando, e nós seguiríamos na estrada (Matias, Márcio e Marcelo), pois o nosso objetivo do turismo estava concluído, agora era chegar em casa!

Esse dia praticamente não tirei fotos da estrada!!


Resumo:
505 km

Média Consumo: 15,6 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,03


Balsa do Rio Madeira

Troca de óleo + filtro + o peso de guidom sumido

Porto Velho

Janta da Galera!




quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 12 - Puerto Maldonado/PER a Rio Branco/AC


Quase no Brasil!!! Não sem antes passar dezenas de quebra-molas, agora bem altos. Cada casa na beira da estrada os lusitanos botaram 3 a 4 quebra-molas, um inferno. Alguns dava pra passar pelo ladinho, a maioria não. O calor incomoda, ele continuou conosco até a chegada em casa, sem tréguas.

A estrada começa a ficar monótona, mais retas e poucas curvas. O sentimento de chegar no Brasil é muito bom, nos sentimos em casa. A nossa língua, a nossa moeda e amplas possibilidades de socorro, caso algum problema com alguém ou alguma moto. A aduana é rápida, um carimbo e estamos liberados!

A minha observação de leigo, fica por conta da preservação da floresta! Enquanto no PERU a mata fechada toma conta, no Brasil, a floresta já deu espaço há bastante tempo para a pecuária, não passamos por nenhum trecho de mata fechada... era o mínimo de se esperar ao cruzar a floresta Amazônica. Cabe a observação que no no Peru esse processo parece estar iniciando, vimos muitas áreas que as árvores já estão sendo derrubadas...

Mas aqui a viagem muda, não medimos mais as distâncias em quilometros percorridos, e sim, em quilometros SOBREVIVIDOS! As estradas exigem muita atenção! os buracos tomam conta e o trânsito de caminhões já começa a aumentar. As estradas do Acre estão abandonadas há anos. Alguns buracos já com mato crescendo dentro.

Ainda que a terra vermelha em volta, nos avisa dos perigos a uma distância seguro. A gente viaja tenso na moto, um buraco e a volta pode estar comprometida. A partir de agora são somente retas, mais cuidado com o sono!

Quase chegando em Rio Branco, as famosas chuvas do norte! Aqui já é uma benção, poucos colocam as capas de chuva. Preferi tomar um banho e me refrescar... poucos minutos depois, tudo acabado e o calor está de volta.

Aqui no Brasil, a parte ÓTIMA são as demonstrações da verdadeira irmandade que é o MOTOCICLISMO. Rodando por Rio Branco, encostamos para pesquisar hotel e nisso chega uma biz. O cara começa a puxar conversa, trocamos umas idéias também. O cara já viajou até o Panamá e se ofereceu para nos levar ao hotel, apesar de estar atrasado pra um compromisso. Atravessamos a cidade e ele nos entregou ao Gameleira Hotel, excelente lugar e com preços bons! 90 reais o quarto triplo. Lá encontramos mais um grupo, que alugaria um carro e iria até Machu Picchu também, conversamos bastante também. Aqui fica o abraço e agradecimentos ao Tiao de Rio Branco

Gameleira Hotel
Rua 24 de janeiro, 283
Rio Branco-AC
(068) 3322-8861

A cidade é bem organizada e bonita, saímos a noite para jantar próximo ao Rio Acre, locais excelentes! Gostaria de ter mais tempo pra conhecer a cidade, quem sabe em uma próxima...

Resumo:
561 km

Média Consumo: 17,3 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,15

Amazônia no Peru

Adeus, ou até breve...

Galera na divisa!

Em casa, mas ainda longe!!!
 
 


em Rio Branco

Galera

esse é o hotel


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 11 - Cusco/PER a Puerto Maldonado/PER


Chegou oficialmente o dia de iniciar a volta, mas isso não quer dizer que a diversão acabou, pelo contrário. O único problema foi um desleixo nosso de sair de Cusco por volta do meio-dia, o que resultou na nossa chegada ao destino somente à noite.

Com todas as estradas magníficas que cruzamos, desde a saída de Yala, fica difícil escolher a MELHOR, mas esse trajeto entre Cusco e Puerto Maldonado foi o meu preferido. A estrada é fantástica, sem defeitos. Além do asfalto impecável e paisagens lindas, a sucessão de curvas é algo impressionante. Um dia, gostaria de contar quantas curvas possui esse trecho.

De Cusco, voltamos 46km até Urcos, pela mesma estrada de 2 dias antes. Dali, se pega à esquerda para Puerto Maldonado. A subida é rápida, boa parte das curvas de 180°, de baixa velocidade. Aqui criamos uma regra nossa: quando a placa indicava 40km/h, faziamos a curva a 72km/h. Quando indicava 30km/h, a 60km/h. Funcionou bem hehe, exceto quando aparecia pedras oriundas de deslizamentos no meio... ai um leve toque no freio traseiro era suficiente.

Deu pra usar bem toda borda do pneu e praticar bastante eheh. O ponto mais alto foi a 4725m, passando próximo de uma geleira bem densa no topo de um morro, estava bem frio. Rapidamente, as curvas começam mas em sentido de descida. Perto das vilas, e´bom tomar cuidado com os rebanhos de ovelinhas dando banda na estrada. A mudança de paisagem é drástica, quando menos esperamos, estamos na Amazônia peruana, no estado de Madre de Dios.

Daí em diante, o cuidado fica por conta de bichos na pista (não vimos nenhum) e em dias chuvosos, pois a água que desce dos morros sobrepõe a estrada em pontos determinados (onde a pista é de concreto). Passamos por diversos desses pontos, mas a água era só uma "lâmina"...

A medida que rodamos, o fio de água que havia no topo, se transforma num imenso rio, muito legal! Já no escuro, nos aproximando de Puerto Maldonado, começam alguns vilarejos e muitos quebra-molas. Um saco!

Chegando em Puerto Maldonado, completamente noite, ultrapassei novamente em faixa dupla uma camionete. Quando não tinha mais volta, vi que era uma viatura da polícia... só fechei os olhos e balancei a cabeça, agora não tinha volta! Mas... nada de novo, vai ver aqui ninguem da bola pro trânsito... ou não viram novamente!

A cidade de Puerto Maldonado tem uma proporção de motos x carros que eu nunca havia visto. umas 20 motos pra cada carro. Aqui eles adaptam as motos pra virarem tri-ciclos, um injambre total. Demos uma volta em uma dessas traquitanas pra ir até um restaurante. 

O hotel péssimo, de frente pra uma avenida barulhenta, o calor infernal. Pelo menos amanhã estaremos de volta ao Brasil. Tirei poucas fotos esse dia.

Resumo:
443 km

Média Consumo: 19,9 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,63

que festa quando encostamos as motos em uma cidadezinha pra tomar uma água

olha essa paisagem... estamos no Canadá??

As paisagens incríveis, entre Cusco e Puerto Maldonado

essa cordilheira é a mais bala! Subida até 4725m e depois curva e mais curva até 800m, Amazônia Peruana

o pneu deve ser utilizado até a borda

calor infernal, a paisagem nos da a impressão que já estamos no brasil

Festa no moto taxi de Puerto Maldonado