quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dia 7 - 588km - Coyhaique-CHI a Gobernador Gregores-ARG

Saímos 8h de Coyhaique com objetivo de chegar as 10h em Puerto Ingeniero Ibanez, o horário da balsa segundo informações. Seguimos pela Ruta 7 (Carretera Austral), e não podia ser diferente, por paisagens incríveis. Logo se entra no Parque Nacional Cerro Castillo, belíssimo, parece que estamos no Canadá ou Europa, cena de filme. Extremamente frio, um chuvisco chato nos acompanhou e os raios de sol teimavam em não sair, acredito que pegamos perto de 0° no parque, pois estava quase congelando. 

Importante observar nas rutas chilenas daqui, que para seguir na ruta 7 é preciso fazer algumas conversões. É contra o nosso instinto, a teoria é que seguindo sempre em frente continuamos na mesma rodovia, mas aqui é necessário fazer algumas conversões para seguir o caminho correto. A dica então é seguir as placas, e não nosso instinto...

Na saída do parque, começa um trecho de descida, uma espécie de Caracoles... bela visão da estrada. E tão logo se chega no fim da descida, saímos da Ruta 7 e dobramos a esquerda, em direção a Puerto Ibanez. Dessa forma, cortamos um trecho de cerca de 300km de rípio, um dos mais belos, mas consideramos que seria abusar das nossas motos, que já estão fazendo muito mais do que se espera delas.

Chegamos na cidade, e grata surpresa, é uma cidade muito limpa, organizada. Isso sem falar do Lago General Carrera, de cor esverdeada. Acabamos chegando cedo demais e aproveitamos fazer um "desayuno" em um hotel da cidade, muito bom!!

Por fim, embarcamos na balsa, o custo é de 6000 chilenos a moto e mais 1000 cada tripulante (não tenho certeza absoluta dos valores). A travessia leva 2hs e desembarcamos em Chile Chico (destino planejado do dia anterior) e daqui seguimos em direção a fronteira argentina (Los Antiguos). A aduana foi rápida, o sol já estava firme quando olhando pra trás, uma tempestade forte se aproximava. Vento descomunal, pensei PQP, é chegar perto da Ruta 40 começa isso?? Colocamos as capas e enrolamos o cabo, felizmente a tempestade ficou pra trás. Abastecemos e almoçamos em Perito Moreno.

Aqui, fizemos a primeira alteração de roteiro da viagem, a ideia inicial era contornar a 40 e seguir pelo litoral (Ruta 3), porém conforme informações do nosso experiente amigo Gedson Frasson que havia feito a "40" algumas semanas antes e de Biz(!!!) poderíamos ir tranquilamente, pois está quase tudo asfaltado. Perguntando para o pessoal, quanto de rípio havia "Hasta El Calafate", as respostas variavam de ZERO a DUZENTOS... bom vamos pela média, são 100km, vamos encarar...

Seguimos pela maravilhosa e lendária RUTA 40, que está para a Argentina assim como a ROUTE 66 está para os EUA e convenhamos... não é preciso ir até os staites, para andar em uma rodovia de cinema, aqui está ela, a poucos quilômetros de casa... LA CUARENTA

Logo chegamos em Bajo Caracoles, "cidade" que segundo nos informou o frentista, possui 12 habitantes no inverno... o frentista, o cara do hotel, o policia, o mecânico... loco
Abastecemos e seguimos, aqui o trecho rende... são somente 218km até Gobernador Gregores, nosso objetivo. Mesmo assim, logo acendeu minha reserva... pudera, chegamos a andar a 190km/h quando o vento ficava a favor... tirei um pouco a mão para não precisar usar o galão (pura preguiça). Avistamos uma nuvem negra a frente, mais chuva... e lá vamos botar as capas de chuva... terceira vez no dia, isso é um saco. Mal terminamos de nos vestir, se foi a nuvem... Aqui o vento é tanto que a tempestade foi pra longe, que beleza, mas agora não tipo mais a capa huehueheu...

Nada de rípio, apenas um desvio de 50m em uma ponte que não está concluída. Nesse ponto, o Miguel se emocionou e foi o primeiro a conhecer intimamente o rípio. Nada grave... Chegamos a Gobernador Gregores, bela cidade... nos encontramos novamente com um pessoal de Antônio Prado/RS que também fez a Carretera Autral (já havíamos encontrado eles em Esquel e adesivos nos postos). Ficamos em umas cabanas bem bacanas onde passamos o Ano Novo. Nossa comemoração vai ser na estrada, rípio e El Calafate, TOP!

Resumo do dia: 568Km, sendo 40km de balsa
Média Consumo: 14,0 Km/L
Média Gasolina Chile: R$4,23
Média Gasolina Argentina: R$2,01



Bonita cidade de Puerto Ingeniero Ibanez
Desayuno loco de especial, café e pão frito
Espetacular Lago General Carrera
Chegamos muy temprano na barcaza...
ciclistas cheios de disposição, olha que exemplo
do verde para o azul...
A imensidão da Ruta 40
Bajo Caracoles
Fotos da Gopro, entre Bajo Caracoles e Gobernador Gregores
asfalto novinho
opa, tem alguem caindo láaaa... faz parte hehehhe
Gobernador Gregores, bonita cidade

Dia 6 - 333km - Villa Santa Lucia-CHI a Coyhaique-CHI

Hoje podemos dizes que o dia foi "punk"!! Conhecemos parte da famosa Carretera Austral, a Ruta 7 chilena, toda sua beleza e dificuldades. Devido às complicadas características geográficas do território, no qual predominam os Andes Patagonicos, lagos, turbulentos rios e a presença de campos de gelo, a rodovia está em permanente manutenção. Por outro lado, grande parte da rodovia carece de pavimentação. Sua construção iniciou-se em 1976 por ordem do Regime Militar, sendo um dos projetos mais caros e ambiciosos de todo o século XX no Chile. O trabalho dos membros do Exército do Chile habilitaria os diferentes trechos da rodovia ao longo dos anos 1980 permitindo a conexão da Patagônia chilena com o resto do país após anos de isolamento. A rodovia ainda não está completa e vários trechos são percorridos através de balsas. Questão de soberania nacional, alguns vilarejos só tinham acesso através da Argentina antes dessa estrada...

O trecho inicial, até La Junta, está em processo de pavimentação. Estão preparando o terreno para o asfalto, o que para nós motociclistas significa um pesadelo, rípio do grosso! Ou seja, muito cascalho solto, sem o "trilho" que tanto nos ajuda. Em determinados trechos, grandes "bolsões" de cascalho quase nos derrubavam, e frente ficava louca e a moto sai de traseira o tempo inteiro. Nessa condição, paciência e bom senso são fundamentais. Mão longe do freio dianteiro e da embreagem, marcha reduzida e sempre dando gás... impressionante como a moto "alinha" hehehhe sempre vale a máxima "NA DÚVIDA ACELERA!". A suspensão absorvia  bem as imperfeições, óbvio que o curso da CBR é muito pequeno, não é adequado para isso então várias vezes "dava o batente".

Pra piorar, a chuva foi companheira constante, motivo pelo qual não tiramos muitas fotos. Devido ao mau tempo e neblina, não podemos apreciar a paisagem em sua plenitude... mesmo assim a Patagônia nos revelou alguns de seus encantos. São dezenas de riachos, montanhas, geleiras e lagos. A paisagem aqui chega a ser opressiva, a floresta densa nos "espreme" no meio da estreira estrada, como que para exigir respeito daqueles que ousam passar por ali.

A região é extremamente isolada de tudo, cruzamos por 2 ou 3 carros até Puyuhuapi e por 2 motos BMW. É interessante abastecer aqui, pois o próximo posto só em Coyhaique, coisa que não fiz. Essa região atravessa o Parque Queulat, 30km depois da cidade, é o acesso para o Ventisquero Colgante, glaciar suspenso que forma uma linda cachoeira. Como tínhamos horário para chegar à balsa em Puerto Ibanez, resolvemos seguir em frente.

Os últimos quilômetros de rípio são os piores, subimos vertiginosamente até quase encostar em uma montanha completamente coberta pela neve. O frio e a umidade estava acabando com nossas forças, mas seguimos firme! Finalmente, no trevo para Puerto Cisnes, o asfalto, para nós um benção!

A temperatura estava baixíssima, passamos muito frio. Felizmente a chuva parou e timidamente alguns raios de sol apareceram, e deu pra sentir as mãos novamente. O trecho até Coyhaique continua maravilhoso, chegamos na cidade em torno das 16h e entramos para abastecer. Eu havia anotado que seriam mais 60km até Puerto Ingeniero Ibanez, sendo que chegaríamos até as 17h a tempo de pegar a balsa para Chile Chico. Porém, a informação estava errada, são 120km. 

Dessa forma, poderíamos arriscar ir até Puerto Ingeniero Ibanez na esperança de algum atraso da balsa ou ficar hospedado lá. Como não sabia nada a respeito do lugar, ficamos aqui mesmo em Coyhaique, cidade grande com estrutura e muito bonita, rodeado por montanhas.Dividimos um "Pisco" no posto e fomos procurar hospedagem. Em meio a algumas manobras, um dos integrantes caiu parado (efeito do pisco???) o qual não posso revelar a identidade pela ética motociclista hehehhe. Achamos uma excelente opção de cabanas (SAN SEBASTIAN) e aproveitamos para deixar as motocas em dia, tirar o barro do radiador, lubrificar correntes e etc. A propósito, a carretera Austral levou mais um parafuso do meu para-lamas e o arame, sendo que tive que descarta-lo pois estava roçando no pneu já. Fiquei sem protetor de corrente. VAMO QUE VAMO!!

Resumo do dia: 333Km, sendo 170km de rípio
Média Consumo: 18,4 Km/L
Média Gasolina: R$3,95



Posto em La Junta
Rípio do grosso na Carretera Austral
Puerto Puyuhuapi
Glaciar, Ventisquero Colgante, Queulat
Cabanas em Coyhaique
Jantinha top
Cidade de Coyhaique