quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 7 - Copacabana


Passamos o dia curtindo Copacabana, para descanso e para conhecer o local. Subimos ao calvário de Copacabana, muito cansativo, pois estamos a mais de 4mil m de altitude, mas vale a pena. A tarde passeamos de barco até a Ilha do Sol. O dia foi de compras também, pois aqui na Bolívia que é feita boa parte do artesanato que se vende no Peru e Chile, muito barato!

Devido a parada, optamos por encurtar um pouco o roteiro, cortando Nazca, que fica para uma próxima oportunidade, e indo direto de Copacabana à Cusco, nosso destino final.

Subimos cedo ao santuário para a purificação da alma, preparo para subir a Machu Picchu +-4000 metros acima do nível do mar
experimente o abacaxi do mercado publico, muito diferente do nosso
delícia



Relato de Viagem - Dia 6 - Tambo Quemado/BOL a Copacabana/BOL

Mais um dia de baixa quilometragem que deveria ser tranquilo, mas as coisas não funcionaram tão bem. A noite foi muito gelada, apesar dos sacos de dormir todo mundo reclamou do frio nos pés, foi uma noite difícil de dormir. Fez -4°C e nossas barracas não eram adequadas pra temperaturas como essas. Quem sofreu também foram as motos, todas congeladas. O combinado era todos no posto às 8h, mas já eram 9h e nenhuma moto tinha funcionado. A última que pegou foi a Hornet depois de muita reza e uma carga extra na bateria. O amigo Celso também estragou o pezinho da Harley ao estacionar a moto na noite anterior (a mola) e teve que improvisar um elástico pra não ficar caindo.

Resumindo, saímos as 10h rumo a Patacamaya-La Paz-Copacabana. Até Patacamaya o trecho é tranquilo, asfalto bom e belas paisagens. Chegamos no trevo e abastecemos. A novidade (que já era esperada) foi a cobrança de preço especial para placas internacionais no posto, pagávamos cerca de 3x mais que os bolivianos, quase 10 bolivianos o litro da gasolina. São nesses lugares que você já nem se importa mais em não abastecer com Aditivada ou Podium, agradeça por ter gasolina nas bombas.

A partir daí a paisagem mudou, estávamos na Carretera La Paz-Oruro. Essa estrada foi uma imagem forte que tive do país, uma estrada que liga duas das principais cidades em condições precárias, pista simples e com bloqueios para reformas. Mas são aquelas reformas que se que estão a passo de formiga, com meia duzia de peões pra não dizer que está parado. Os outdoors com o Evo vestido de operário também fazem parte da paisagem agora. O transito de caminhões ja começa a incomodar, infelizmente, pra chegar em Copacabana, é necessário entrar em parte de El Alto, cidade grande colada em La Paz.

Não existe nada no Brasil perto do que é o trânsito nessa região. As vias são largas, mas transporte público não existe. Nem por isso as pessoas vão deixar de ir pra lá e pra cá. Quem faz o serviço são as vans, milhares! das 5 faixas, talvez 4 são tomados por elas. Pisca não existe, o negócio aqui é na buzina. Vai mudar de faixa ou alguém está chegando perto, mete logo a buzina. Pegamos logo o jeito, até é legal. Multa não existe nessa parte do mundo, cada um faz o que quer. As vans param do nada no meio da rua pra carregar/descarregar passageiros. É mulher com criança, criança com cabra, vale tudo! O mais legal é que ninguém se perdeu aqui, mesmo com o carro que é mais lento e fica preso.

No fim, demoramos quase 1h pra andar uns 15km. Na saída, pegamos uma chuva de mentirinha que durou 5min. Só pra sujar tudo. Dali, seguimos até Tiquina, onde é necessário pegar uma balsa pra atravessar o Lago Titicaca. A visão do lago é impressionante, a cor de um azul lindo, e o tamanho da a impressão que chegamos ao mar, pois o lago se perde no horizonte. A balsa custa 10 bolivianos, é bom entrar de ré com a moto, pois sair depois é uma briga. Sofremos com as Harleys e a GS1200.

Depois de Tiquina, um pequeno trecho até Copacabana, subida e depois descida. Acho que foi o trecho com as melhores curvas da viagem, asfalto perfeito e pura adrenalina, o cansaço some! Interessante que a cada + ou - 1km tinha um cachorro sentadinho na beira da estrada, imagino que sejam cães pastores, algo assim. Alguns rebanho de ovelhas davam banda pela beira da estrada. várias pessoas fazendo o trecho a pé, Copacabana é habitat de mochileiro.

Chegamos na cidade já ao por do sol. Decidimos ficar aqui mais um dia conhecendo o local.

Resumo:
417 km

Média Consumo: 18,1 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,53

Vista do café da manhã, em Tambo Quemado
Será que a noite foi fria??
Paisagens do altiplano boliviano
primeira vista do lado Titicaca
Lago Titicaca e Cordilheira Real ao fundo
Balsa no estreito de Tiquina
Sequencia de curvas incríveis entre Tiquina e Copacabana
Onde vamos dormir?
Enquanto resolvemos o dilema curtimos o sol se por maravilhosamente ao lago Titicaca a +- 3800m



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Relato de Viagem - Dia 5 - Iquique/CHI a Tambo Quemado/BOL

A saída de Iquique marcou um momento interessante da viagem. Havíamos passado por Chile e Argentina, países conhecidos pela maioria de nós, com hábitos semelhantes, cidades com boa estrutura em caso de problemas, poucos problemas com abastecimento. Agora iríamos em direção à Bolívia, país muito mal falado pela maioria, um dos mais pobres da América do Sul (talvez o mais). Diversas questões seria levantadas... abastecimento, corrupção da polícia e até a violência no pais!

Antes disso, foram 300km de Iquique a Arica. Passamos por Humberstone, cidade abandonada pelos ingleses depois que as minas de nitrato perderam o interesse. Passamos batido apesar de ficar do ladinho da estrada. Que burrada! Continuamos em um deserto sem fim, não cruzamos uma "cidade" sequer, muito menos posto de gasolina. Nem por isso as paisagens eram monótonas. A partir do memento que passamos pelo trecho de retas, chegamos a um trecho sinuoso de subida. Além da diversão nas curvas, a paisagem nos deixa deslumbrado com a impressão que não estamos no planeta terra. Subimos e descemos montanhas com + de 1km de altura, todas de uma aridez extrema... parece que estamos desbravando Marte! a estrada é fenomenal. Paramos perto de um desenho de pedras para abastecer os galões e seguir até Arica.

Interessante ver que os povoados vivem da agricultura, mesmo no deserto! Vimos alguns aviários e diversas plantações. O detalhe: aqui não se usa agrotóxico nenhum. Nenhuma praga consegue sobreviver aqui.

Chegando em Arica, temos a impressão de chegar em um Oásis. Parece também que a cidade foi construída pela Coca-Cola, somos recepcionados com um desenho enorme nas montanhas com o logo, feito de pedras. Tinha um bonito tanque do exército dos Carabineiros na entrada, pedi gentilmente pra tirar uma foto, mas a resposta foi dura. Saí rapidinho antes do esquentadinho implicar mais hehe.

Depois da abastecida, trocamos dinheiro aqui mesmo e bora pra Bolívia. Tambo Quemado acho que nem cidade pode ser considerado, é na verdade uma vila que se construiu em volta da Aduana. Tem posto, comida e acomodações (nada do que aqui no Brasil chamamos de "restaurante" e "hotel").

A subida da cordilheira é incrível, acho que não perde em nada pra rota 66 nos EUA, acho eu. O mais legal nesses trechos é a mudança da paisagem, a medida que rodamos poucos quilômetros  Se nota, gradativamente, a mudança do cenário deserto, quente completamente seco, para o frio das altas altitudes, a neve nas montanhas e o começo de uma vegetação tímida. O trajeto é 100% do melhor asfalto, alguns trechos foram concluídos recentemente. 2 ou 3 trechos em obras com alguns metro de chão.

Chegando ao Parque Nacional Lauca, a mais de 4700m de altitude, a paisagem mexe com qualquer um! Lagos de cores inacreditáveis, com montanhas cobertas por neve ao fundo! Sem dúvida a vista mais linda de toda a viagem, quem exclui a Bolívia do roteiro, infelizmente vai perder esse trecho magnífico! Antes de chegar lá eu já tava gostando  

Finalmente chegamos na Aduana, uma fila de caminhões de amedrontar, mas felizmente não precisamos ficar nessa fila. A burocracia Boliviana incomoda, são 3 ou 4 papéis que vão pra lá e pra cá sem parar. Acho que demoramos 2h até terminar todos. A impressão que eu tive ao entrar no pais é de estar voltando no tempo, uns 20 ou 30 anos. Não que essa impressão tenha mudado depois hehe. Acabamos achando um hostel meio moquiado (escondido) e a dona deixou a gente acampar ali. Custou 10 bolivianos, ou 4 reais. Essa parte da Bolívia é muito legal, é barato que só lá. Botamos a roupa térmica e seja o que Deus quiser!! Que noite fria!!! Ah a janta foi um panelão de miojo reforçado com legumes! muito bom!

Resumo:
478km

Média Consumo: 20,2 km/L
Média R$/Litro: R$ 3,96

Saída de Iquique
de Iquiqie a Arica, deserto absoluto e sem posto de gasolina
Chegada em Arica
Cordilheira Chile-Bolívia
Putre
 
Parque Nacional Lauca, quase na Bolívia
estamos na Bolívia, salve-se quem puder!
esse foi o camping, meio frio mas muito legal!



Relato de Viagem - Dia 4 - San Pedro de Atacama/CHI a Iquique/CHI

Seguimos agora com o grupo todo reunido, são mais 2 casais de Harley (Márica e Celso de Road King e Miguel e Ana de Fatboy), 1 casal de GS1200 (Max e Cleo) e um casal de carro (Marcelo e Eliz). Seguimos rumo a Calama, região de extração de minério. De lá, ninguém mais conhecia a rota ao vivo, seria novidade para todos. A próxima parada seria Tocopilla e a primeira visão do Oceano Pacífico na viagem. A estrada é um deserto só, quem quiser testar a velocidade final da moto aqui é o lugar. Mais seguro, impossível  nao tem transito, buraco na estrada e nem bicho atravessando hehe. Andei uns km na contra-mão pra ver quando tempo ficava... no fim das retas, uma serra bem íngreme de onde descemos de uma altitude de quase 2mil m para o nível do mar, umas curvas bem legais com uns morros de dar medo ao fundo. A vista do pacífico é show, saímos do deserto para o mar! Entramos em Tocopilla para abastecer pois não tem posto na beira da estrada.

Depois disso, seguimos numa das mais bonitas estradas do mundo certamente... vamos costeando o pacífico, seguindo  o trajeto pelo contorno das cordilheiras. Por vezes subindo de novo, por vezes atravessando as montanhas em um túnel magnifico! São 240km sem passar por nenhuma grande cidade e nenhum posto de gasolina, apenas pequenas vilas de pescadores que sobrevivem da pesca. Todas muito pobre, mas o que chama a atenção é que TODOS tem uma bandeirinha do chile tremulando no teto das casas. Muito Legal. No final, chegamos a Iquique, cidade muito legal, bem desenvolvida. A cidade funciona em volta do porto e é Zona Franca no Chile. A parte perto do mar é show de bola, me lembrou um pouco Punta del Este, só sem tanto glamour hehe. Nos instalamos em um camping antes da entrada da cidade, bem limpo e tem cabanas pra quem não quiser armar as barracas...Top

Resumo:
493km

Média Consumo: 19,0km/L
Média R$/Litro: R$ 3,93

Cordilheira de Domeyko
Esse é o Comil Campione 3.45, produzido em Erechim/RS direto pro Atacama
Deserto até Tocopilla
Tocopilla
O Pacífico
 
Conhecendo a cidade de Iquique, muito bonita!
Camping à beira do Pacífico